É nele que vocês vão encontrar diariamente toda sorte de bizarrices que escrevo. Por cá ficará este meu fiel escudeiro, que acolheu nos últimos dois anos e meio, sem reclamar (e sem receber um tostão pelo trabalho), meus contos, crônicas e artigos – e ele continuará vigente como um arquivo do que escrevi até hoje.
Foram quase 14 mil acessos e 830 comentários em cerca de 230 textos.
Obrigado pelas visitas, comentários e carinho que vocês dispensaram ao longo deste tempo todo e venham passear no meu novo endereço.
Quando se tem oito, nove, dez anos, só há uma grande preocupação na vida: será que algum dia farei um gol de bicicleta? Eu treinava no quintal da minha casa sozinho. Jogava a bola para cima, me preparava para o movimento, e tentava acertar o tempo de bola. Normalmente eu furava o chute, dava de canela, levava uma bolada na barriga e caía chapado arrebentando as costas no chão. Infelizmente, hoje, eu sei a resposta para aquela preocupação: nunca fiz nenhum gol de bicicleta (mas é bom que se diga que de voleio eu já fiz).
Passado este período, chegamos às intempéries que se situam entre os 11 e 13 anos. A chamada fase da pré-adolescência. É neste ponto que deixamos de nos preocupar um pouco com o gol de bicicleta (mas só um pouco) e passamos a reparar naquela moreninha de cabelos lisos que senta à carteira em frente, na sala de aula. Repentinamente, paramos de pegar no pé dela, diminuímos o ritmo das brincadeiras e passamos a espremer espinhas em frente ao espelho.
Recém entrado nesta fase – não lembro exatamente a data, pois minha memória não é muito fotográfica – foi que eu fiquei sabendo de uma atividade muito popular entre meninos e meninas desta idade: chamava “festa americana”. “É que nem mãe-cola?”, perguntei pra um amigo mais velho. “Mais ou menos, só que com refrigerante e salgadinhos”, ele respondeu. Mãe-cola com upgrade, já estava gostando da brincadeira.
Um belo dia, marcaram uma dessas “Festa Americana” na residência do Ramiro, um loirinho que morava na rua de trás da minha casa. Normalmente eu ia até lá pulando o muro, mas minha mãe falou que em festa americana isso não pegava bem. Não entendi o porquê, mas acatei e fui pelas vias normais até lá. Horas antes, quando estava me preparando para o grande momento – afinal, seria minha estréia em tal atividade – fiquei imaginando como seria essa tal festa americana.
Até então, as únicas coisas em minha vida cuja palavra “festa” estava presente eram festa de aniversário e festa junina. Imaginei uma mistura das duas com fogos, bolo, um monte de bandeirinhas dos Estados Unidos penduradas, em vez de chapéu de aniversário uns capacetes militares e todo mundo falando inglês... Praticamente um feriado de 4 de Julho personalizado. Hum, não, não devia ser isso, ninguém fala inglês aos 11, 12 anos (eu não falo até hoje, mas combinei com o Alexandre que vou aprender no dia em que ele apresentar a monografia dele – sorte que não se jubila mais, né, piazão?).
Pronto. Banho tomado, cabelo penteado, tênis amarrado com dois nós, pulseira do relógio escolhida e combinando com a cor da roupa (eu tinha daqueles relógios que trocavam pulseira, lembram?) e minha mãe já passara todas as recomendações e providenciara o refrigerante. Essa história dos meninos levarem o refri e as meninas o salgado é muito antiga – remonta dos antigos índios comanches (vai ver é por isso que a festa chama “americana”).
Ah, sim, esqueci de dizer que foram os comanches que inventaram o refrigerante. Mais precisamente a filha do chefe da tribo, que se chamava Coca-Cola.
Voltando; quando cheguei à festa vi uma cena da qual jamais esquecerei. Cerca de vinte pessoas sentadas em círculo, quietas, imóveis, ouvindo uma música lenta – que depois vim saber se tratar dos Scorpions; Wind Of Change, lembram dessa? – iluminados por uma luz lúgubre saída de luminárias feitas de papel crepom (acho que foi uma tentativa de dar um clima de boate ao evento) e no canto uma mesa com refrigerantes e coxinhas de frango. “Chuta que é macumba”, pensei na hora (macumba chique, diga-se de passagem, com frango industrializado).
Mas não, era pra ser assim mesmo. “Isso é que é a tal da festa americana? Vou embora!”, decidi. Mas meus amigos me viram chegando e não me deram chance. Foram logo tirando o refrigerante da minha mão e me colocando “à vontade”. Pra ajudar, estava presente a Fabiana – o primeiro amor platônico que tive. Uma moreninha de cabelos lisos (são a minha perdição) que devia ser uns dois anos mais velha do que eu. Eu tinha 11 e ela 13. Ou seja, ela nem sabia que eu existia – o negócio dela eram os meninos mais velhos, da oitava série. Eu era, no máximo, o amiguinho sem graça do seu irmão... Depois vêm me dizer que o mundo não é cruel.
O que eu fiz? Sentei na roda de macumba como todo mundo e fiquei ali sem saber o que fazer. “Tá, e agora?”, perguntei pro menino sentado à minha direita. E ele respondeu: “Agora você tira uma menina pra dançar”... “O QUÊ?!”, dei um berro que ficou todo mundo me olhando – até hoje sinto vergonha só em lembrar. Como assim, "tira pra dançar"? Ninguém tinha me dito nada de “tira pra dançar”. "'Tira pra dançar' uma ova! Agora sim é que eu vou embora!", esbravejei. Porém, quando levantei, o Ramiro, o dono da casa, foi lá e tirou a Fabiana para uma dança. Rapaz, que raiva! Agora era questão de honra, precisava tomar uma atitude. E tomei: sentei de volta.
Uma vez um amigo foi acampar e, durante a noite, surtou. Começou a choramingar na barraca e dizia: “Meu avô não é frouxo, meu pai não é frouxo, meu irmão não é frouxo... por que é que eu sou frouxo?!” Pois eu tava me sentindo assim naquela hora. O Ramiro lá, dançandinho com a moreninha, e eu nada. Aliás, ninguém nada. Eram 18 cabeças imóveis, acomodadas na segurança de suas cadeiras, e um casal na pista. Pois me enchi de toda a coragem do mundo e levantei. Depois, movi a perna direita (com dificuldade, admito) e depois a esquerda em direção a uma outra moreninha (não tão cuti-cuti, como diria Marcelo Tas, quanto a Fabiana) que estava logo à minha frente.
“Quer dançar?”, perguntei. E ela disse sim (também, naquela situação ela era capaz de pagar pra que alguém a tirasse pra dançar). Foi aí que eu me dei conta de algo importantíssimo: eu não sabia dançar. Nunca tinha feito tal coisa em toda a minha existência. Comecei a tremer e travei. O máximo que eu fazia era dar uma balançadinha de um lado para o outro, mas sem tirar os pés do chão. Olhar vidrado, boca seca, e os braços mal tocando a menina (eu não conhecia o protocolo. Não sabia se podia encostar, a que altura a mão devia ficar, que pressão devia usar... Descobri em menos de cinco minutos, numa simples tentativa de dança, diversas perguntas fundamentais para a vida... e a escola ainda ensinando pretéritos e equações).
Foi aí que ela perguntou: “Você tá tremendo?” Sério, eu queria virar uma avestruz e enfiar a cabeça debaixo da terra. Mas não fiz isso... Fiz pior: “Sim, é que eu tô com frio”, disse. Gente, eu morava no Centro-Oeste brasileiro! A temperatura devia estar por volta de 27ºC aquela noite. Ela deu um risinho do tipo “tsc-tsc-tsc, coitado!” e voltou para a sua cadeira. O resto do pessoal foi se soltando e de repente o lugar parecia um baile. Eu fui para a mesa no canto, comer salgadinho e tomar refri. Não dancei com mais ninguém aquela noite. Quanto à Fabiana? Ela se casou com o Ramiro e foram felizes para sempre (mentira, nem sei deles, só acrescentei essa pra dar mais dramaticidade).
por Beto Pacheco (publicado em 2007 e revisado em 2009)
Gente, às vezes, perdemos um pouco o controle na bebida. Normal. Não devemos nos criticar por isso. Todo mundo tem o direito de fazê-lo algumas vezes na vida. Contudo, não venha me dizer que não se lembra de nada, não acredito em amnésia alcoólica completa (esta é a frase original do texto, mas, hoje, depois dos shows do Monobloco e de conviver mais dois anos com Barcímio, Jack, Ale, Marlos, dentre outros, mudei um pouco de idéia). Sempre lembramos de algumas coisas (vai nessa, Beto de 2007), nem que sejam frases e cenas desconexas que aparecem ao acordar. Normalmente, o que foi dito no início da noite anterior vem mais claro. Já mais para o final, um labirinto - inconsciente e perdido.
Início da noite:
“Não, meu filho, não discuta futebol com o Fagundes. Vai por mim.”
“É óbvio que o colarinho tem que ter dois dedos. E cravados. Oh, Jardel, desce duas.”
“Também não entendo por que algumas pessoas gostam de criar problemas além daqueles que a própria vida já nos apresenta. Mas que pergunta!”
“Aliás, você viu a queda da bolsa?”
“A loira? Cadê?”
“Heineken? Hummm... Vai nessa que você vai ver a dor de cabeça amanhã.”
2 horas depois:
“Gente, olha lá o Fagundes chegando. A partir de agora, sem falar de futebol, hein? Não quero ninguém indo às vias de fato.”
“Oh, Jardel, o copo ta ficando vazio, meu camarada. Mais três... e com colarinho”.
“Não. Não faça isso. Se der a outra face, o golpe vem em dobro, meu amigo. Tô falando...”
“É culpa do capitalismo. Do ca-pi-ta-lis-mo!”
“A loira? Se é bonita? Hum... Bom, na tua fase, vai fundo.”
“Essa Heineken até que vai, rapaz.”
Mais 4 horas:
“Isso aí, Fagundes: futebol é que é esporte, o resto é Educação Física!”
“Então, como eu ia falando... Que que eu ia falando mesmo? Ô, Jardel...”
“Se tem gente ruim no mundo? Puta que pariu! E como tem gente feia também...”
“Gosto da Margareth Thatcher... O quê!, ela não é mais ministra da França?! Ah, não é da França? Entendo.”
“Deixa eu mudar de lugar... este ângulo favorece mais a loira”
“Cinco Heinekens, Jardel... Não, melhor sete”
Sete hora depois:
"Cara, gosto de você pra c...”
“O que eu acho do Coxa? É o seguinte... Calma Fagundes, calma, rapaz, não precisa fazer isso...”
“Se quem é pior, o homem ou a mulher? Depende de qual lado você está, se do de cima ou do de baixo - hehe. Entendeu, hein, hein? Qual lado... hehe. Eu to hilário hoje.”
“Não chora, vai.”
“Vou lá falar com a loirinha, peraí.”
“O quê, o Anésio assumiu e vai operar?! Papagaio! Jardel, essa merece mais cinco.”
Dia raiando:
“Ic! Ic!”
“Fagundes, vá pra p...”
“Era um pássaro, tenho certeza. Apesar daquela roupa azul...”
“Pára de chorar. Quer um lenço?”
“Hei, psit! Que gata, rapaz! Que gata essa loira”.
“Madalena, Madalena, você é meu bem querer... Tô bem, tô bem, me larga!”
A música, de Pixinguinha e João de Barro, talvez seja a mais conhecida deste país. Mas a dica aqui é por conta da interpretação de Marisa Monte e Paulinho da Viola. Adorável.
Para quem não sabe, quando criança, morei muitos anos na calorenta cidade de Gurupi, no Tocantins. Isso se deu porque meu pai era gerente do Bamerindus (é, tô ficando velho mesmo) e foi transferido para lá – ordens que não cabem a um empregado contradizer. Eu adorava, porque podia andar de bicicleta por toda a cidade, brincava na rua, subia em árvore, pulava muro, arrancava a tampa do dedão jogando bola no asfalto... essas coisas que todo mundo devia experimentar ao invés de só ficar fazendo calo no dedo por causa do controle de vídeo game.
A cidade tinha cerca de 100 mil habitantes e ficava próximo à divisa com Goiás. Vira-e-mexe eu ia pescar e, até, caçar com meu pai (mas isso era antes do IBAMA pegar mais pesado e de eu criar uma consciência mais ecológica). Quando não era a gente que ia atrás dos animaizinhos, eram eles que atravessavam a rodovia e caiam na urbanidade. Um dia vi uma ema (parente da avestruz) correndo vestindo bermuda larga, boné viradinho de lado e cantando um rap... Tá bom, é mentira: lá elas só cantavam música sertaneja.
A proximidade com o cerrado, com a natureza em estado bruto, era tanta que certa vez, enquanto brincava num terreno baldio na esquina de minha casa, encontrei um bicho-preguiça. Juro, encontrei mesmo. Era esquisito, confesso, mas decidi que o levaria para casa. Não seria muito difícil capturar o bichinho, já que ele não é muito dado a esforços desnecessários. Peguei um galho e posicionei para que ele pudesse abraçá-lo. Dito e feito.
Saí pela rua de peito erguido, carregando meu bicho-preguiça abraçado ao galho da árvore. Todo mundo queria vê-lo. Guando cheguei em casa, fui logo gritando:
– Mãe, achei um bicho-preguiça!
E ela respondeu:
– É algum parente seu?
Minha mãe sempre implicou com o fato de eu dormir um tiquinho mais que as pessoas normais. Mas isso é papo pra outra crônica.
Minha experiência com o bicho-preguiça não durou muito. Meu pai disse que ele não ia se adaptar a morar em casa e que já bastava um bicho-preguiça pra eles terem de cuidar (sim, ele estava falando de mim mesmo). No dia seguinte o levei até a beira da mata que cercava a BR-153, que cortava Gurupi, e deixei o pobrezinho seguir seu rumo.
Contudo, fiquei um pouco frustrado. Sempre quis ter um animal de estimação e o preguiça seria perfeito. Afinal, não daria muito trabalho, não destruiria a casa, se fugisse levaria três dias inteiros só para atravessar a rua, não atacaria ninguém e também não ia exigir passear e brincar a toda hora. O oposto do meu cachorro... Que eu adoro, diga-se de passagem (é bom agradar, já que ele é leitor assíduo do blog)
Felizmente, não tardou a aparecer um novo amigo no velho terreno baldio. E dessa vez ninguém tiraria ele de mim. Era um tatu. Sim, um tatu mesmo, daqueles que moram entocados debaixo da terra. Ele era engraçado e já tinha até escolhido um nome para ele: Tatu. Criativo, não?
Levei o Tatu para casa e gritei:
– Manhêeee, achei um tatu!
E minha mãe:
– Parabéns! E você tá proibido de brincar no terreno baldio...
Ela temia que eu chegasse com uma anta em casa qualquer dia.
Larguei o tatu no quintal e logo percebi que ele era um pouco mais arisco que o preguiça: foi só soltar o danado no chão pra ele tentar fugir. Mas, não, dessa vez eu teria o meu bicho de estimação silvestre custasse o que custasse. Precisava achar um jeito de mantê-lo quieto enquanto eu procurava recipientes para colocar água e comida. Foi aí que tive uma idéia fantástica: coloquei ele de costas, deitado sob a própria carapaça, e pronto. Ficou como uma tartaruga de ponta-cabeça, com as perninhas balançando e vendo o mundo ao avesso.
Enquanto eu procurava os potinhos da água e da comida, ouvi minha mãe gritando:
– Paulo Roberto, venha aqui agora?
“Paulo Roberto”? Lascou, pensei na hora. Tomei uma esculachada daquelas por colocar o tatu de costas e, blá, blá, blá, todo aquele sermão de que era crueldade e tal. Hoje eu concordo, mas nem pensei nisso na época – só queria que ele não fugisse. Pedi desculpas e achei uma nova solução. Peguei uma caixa de papelão – dessas de TV – e coloquei sobre o tatu, com uma pedra fazendo peso para ele não sair. Fui procurar os potes e, quando os achei, voltei correndo para ver como ele estava. Pois não é que ele tinha sumido.
O quintal da minha casa era de terra batida e quando tirei o papelão só havia um buraco. Até hoje me pergunto quem foi que fez aquele túnel e roubou o meu tatu de estimação.
De Marlos Soares. Detalhe para o sensacional solo de violão de Beto Pacheco na abertura (hehehe). Ah, o solo de gaita do Alexandre é legal também, mas a limpada de nariz depois... por favor! Na percussão, Henry Xavier e Jack Almeida; no baixo, Juliano da Luz.
Pessoal, como já mencionei inúmeras vezes aqui, a falta de inspiração é o meu principal problema. Porém, com a “experiência” adquirida ao longo desses três anos de trabalho (posso não receber por escrever no blog, mas o encaro como um trabalho, podem acreditar). Criei alguns mecanismos para burlar esta dificuldade, dentre eles: apelar para personagens já existentes, falar de música, literatura, contar histórias da infância (este a Cláudia adora), queimar a minha cara entregando detalhes constrangedores (este todo mundo adora) e quando nada disso ajuda, abrir os jornais e procurar por algo bizarro.
Fui ao site da Globo, o g1.globo.com, e descobri uma sessão intitulada “Planeta Bizarro”. Tinha a esperança de achar alguma coisa interessante por lá; porém, eu estava enganado. Não achei uma coisa, achei uma penca. Preparados? Então, vamos ao mapa... digo, às manchetes (comentadas, obviamente):
Chef americana faz “bolinho” de 68,5 Kg e bate recorde.
Perguntas: pra quê? Quem, raios, vai comer um bolinho desse tamanho? Vai guardar onde?
Americana paga 4 mil dólares por cadela que nasceu com cinco patas
Vejam vocês como os acessórios são realmente o que valorizam o produto. No meu cachorro, que tem só quatro patas, não pagam mais do que cinqüentão (espero que ele não leia isso)
Jovem que tentou leiloar fotos da mãe nua diz que as imagens eram falsas
Ah tá!, Ufa!, menos mal... Por que se fossem de verdade, aí sim, seria uma coisa terrível.
Por recorde, palestinos fazem doce de mais de uma tonelada
Rapaziada, foco, foco!, vocês precisam se concentrar em coisas mais importantes, como negociar com os israelenses, reivindicar por um país próprio, lutar por... Ei, quantos explosivos cabem num doce de uma tonelada? É uma bomba de chocolate? (é brincadeirinha, gente, foi só uma piadinha)
Jibóia é flagrada devorando frango na china
Nãaaaaao!? Vocês tão brincando comigo? Jurava que elas eram vegetarianas...
Bonecos de pano “comandam” porcos em corrida na Irlanda do Norte
Galera, como é que nós, seres humanos (grupo onde estão inseridos os irlandeses do norte – e acho que os do sul também) dominamos o mundo? Expliquem-me, por favor. Esta vale até uma foto:
Congresso reúne Papais Noéis na Dinamarca
Agora é sério, acabo de perceber que andam me enganando a muito, muito tempo – desde o dia em que descobri que a bicicleta que ganhei no Natal estava escondida na casa dos meus vizinhos (um dia conto esta, Clau). Achava que Papai Noel não existisse e vocês vêm me dizer que, além de existir, não é só um, mas vários... Me tirem o tubo!
P.S: Sem contar que eles são dinamarqueses... jurava que ele morava na fábrica da Coca-Cola
Mulher diz que descobriu aneurisma cerebral graças a cão
Manchete errada! Manchete errada! Devia ser: Mulher diz que descobriu cão neurologista.
Britânica reencontra gato de estimação após seis anos
A cena foi linda, em câmera lenta, ela correndo de um lado, o gato do outro, e se encontrando no meio da tela em um abraço efusivo.
Sul-africana é a mulher mais flexível do mundo
Ela aceita todas as diferenças, sejam raciais, religiosas, culturais, políticas, futebolísticas... muito flexível
Jantar suspenso por guindaste custa até R$ 40 mil
Já imaginaram o peso do pernil?! Guinness na certa.
Ladrão é preso após voltar à casa arrombada e pedir desculpas
Meu caro, entenda que roubar é seu trabalho, não precisa pedir desculpa. Já viu o Sarney pedir desculpa alguma vez?
Homem passa 300 dias em ilha deserta em companhia de um porco
Wilsoooooooon! Era assim que o porco chamava o cara.
Pombo constrói ninho em canhão da segunda Guerra Mundial
E só pôde fazê-lo porque o avô dele não fez a mesma coisa na década de 40.
Oi, pessoal. Não é de praxe este blog republicar um texto tão recente. Contudo, esta crônica abaixo é especial, pois ficou entre as 10 “Menções Honrosas” doConcurso de Crônicas da Editoras Guemanisse (RJ). O concurso contou com 1.192 textos inscritos, sendo dois meus. “Insatisfação” será publicada em uma coletânea. Obrigado, porque sem as leituras, comentários e o carinho de vocês talvez esse blog já tivesse se encerrado e estes textos nem existissem. Beijos e abraços!
Hans está insatisfeito porque não tem dinheiro para trocar seu BMW.
Maria está insatisfeita porque precisa pegar o ônibus às cinco horas da manhã para ir trabalhar.
Anna está insatisfeita porque acabou o sorvete de chocolate.
Joaquim está insatisfeito porque não tem mais caviar
Fernando está insatisfeito porque não conseguiu matricular sua filha na escola que queria.
Kanu está insatisfeito porque é escravo numa mina de diamantes.
Mark está insatisfeito porque descobriu que Papai Noel não existe.
Luizinho está insatisfeito porque não terá sequer ceia para comemorar.
Vladmir, ou Влади́мир, está insatisfeito com o frio de – 20 C°.
Lawrence está insatisfeito com o calor de 45 C°.
Paolo está insatisfeito porque não consegue pegar tantas mulheres quanto seu amigo Franco.
Franco está insatisfeito porque terá de comprar mais cocaína.
Petrovich está insatisfeito porque não tem um fuzil de longo alcance.
Tommy ficará insatisfeito porque estará de serviço na delegacia no dia do massacre.
Alana está insatisfeita porque não consegue engravidar.
Dani está insatisfeita por estar grávida e não ter como cuidar.
Henry está insatisfeito porque seu irmão, Willian, assumirá o trono.
Willian está insatisfeito porque queria mais privacidade.
Raimundo está insatisfeito porque a última vaca que tinha morreu de sede.
Mauro está insatisfeito porque a onça que tem matado seu rebanho escapou da armadilha.
Ricardo está insatisfeito porque sua ONG não consegue salvar o número de onças que deveria.
Papapoulos está insatisfeito porque acha que sua mulher engordou demais.
Valery está insatisfeita porque seu marido tem chegado tarde seguidamente.
Victoria está insatisfeita por não se achar magra o suficiente para a passarela.
Akeem está insatisfeito por estar num campo de refugiados. Seu filho, Hussein, está insatisfeito por ter de orar diariamente.
Lucca está insatisfeito porque só conseguiu realizar o trabalho encomendado após o terceiro tiro. Ele é perfeccionista.
Luana está insatisfeita porque não conseguiu arrecadar a quantidade de doações que queria. Ela é perfeccionista.
Ronaldinho está insatisfeito com seu trabalho.
Lee está insatisfeito por estar desempregado.
Clint está insatisfeito com os imigrantes.
Saddan está insatisfeito com os invasores.
Galileu ficou insatisfeito por duvidarem dele.
Darwin também.
Brian ficou insatisfeito porque Paul lançou um disco melhor que o dele.
Paul ficou insatisfeito com John por achar que ele não se preocupava com a banda como deveria.
John ficou insatisfeito com Paul por achá-lo egocêntrico.
Yoko concordou com John.
Van Gogh estava insatisfeito com sua orelha.
Charles Manson estava insatisfeito com o mundo em que vivia.
Hitler também.
Gandhi também.
Desmont Tuto Também.
Correa está insatisfeito com Uribe que está insatisfeito com Chávez que está insatisfeito com Obama que está insatisfeito com Kim Jong-il que também gera insatisfação em Taro Aso.
Pedro ficará insatisfeito amanhã por algum motivo.
Largo da Ordem. Mesa na calçada. Dezoito horas. Sábado. Primeira cerveja.
Passam-se vinte minutos. Cadê o garçom? Olham sobre os ombros. Enxergam-no. "Ô, Psit! Chefia..." Ele dá as costas e entra no bar.
Mais cinco minutos. "Não, não quero comprar artesanato!". Trinta graus. Chega o garçom, com a cerveja. Cinco copos. Esvaziam a garrafa. Quatro goles de cada. Esvaziam os copos. "Acho que devemos pedir duas de cada vez. Uma só não vai dar."
Passam-se dez minutos. Lá vem ele, o garçom. "Mais duas..."
Outros quinze minutos. Grupo punk à esquerda. Distância: vinte metros. Não é suficiente. Falta de banho. Chegam os dois cascos, com o garçom. Copos cheios. Fica um resto na garrafa para completá-los. Seis goles e meio, em média. Grupo suspeito aproxima-se. Param perto dos punks. Não agüentam.
Desespero: acabou a cerveja. Garçom na mesa ao lado. Atendimento rápido.
Carro prata estacionado a vinte e cinco metros. Grupo suspeito está ao lado do carro. No total, três homens. Estouro. Cacos no chão. Aparelho de som. Grupo sai calmamente.
Cadê a cerveja? Mais doze minutos. "Já trago a de vocês...", grita o garçom.
"Não! Já falei, não quero comprar artesanato!"
Punk cai. Coma alcoólico. Garrafa de vinho rola pela calçada. Vinte metros. Chega aos pés do bêbado. Sorriso. Três goles.
Chegam mais duas. Cervejas.
Bêbado na sarjeta. Acabou o vinho da garrafa. Punk ainda no chão. Tocam os sinos. Missa das sete.
Três homens, não mais suspeitos, ao lado do carro vermelho. Vinte e dois metros. Aparelho de som... Polícia?
Bêbado entra na igreja. Sede. Água benta.
"A conta!"
Tomba mais um punk.
Cadê o bêbado? Não faz mal, chega outro para ocupar a sarjeta.
Vinte e cinco minutos passados. Vem a conta, com o garçom. Salta um punhado de moedas. Assaltaram a igreja? Não. Nem o bêbado.
Chega a ambulância. Uma. O segundo punk tem que esperar.
Os cincos se levantam. Encaminham-se para o carro. "Onde está o guardador?" Cacos de vidro. E a polícia?