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ENTREVERO
Questão de escolha - por Beto Pacheco
Ela teria seu primeiro filho. Os nove meses já haviam se esgotado e era uma questão de tempo... Para falar a verdade, o tempo já estava esgotado. Ultrapassado. E nada do guri vir ao mundo. Preocupada, começou a rezar, pedir ajuda divina para que aquela espera se encerrasse. Ela não sabe, mas foi atendida. Um anjo foi enviado para ver o que se passava. O tal do anjinho chegou e foi surpreendido ao descobrir por que o menino não nascia:
- Não vou e pronto!
- Com não vai? – Indaga o anjo.
- E vou sair daqui por quê? É quentinho, aconchegante.
- Mas, garoto, os nove meses já se passaram. Chegou a sua hora.
- Me nego! Aqui é muito melhor. E a comida então? Não preciso nem mastigar.
- Mas é isso que você quer, viver eternamente dependente?
- Sim.
- Mas a sua mãe lhe aguarda com tanta ansiedade.
- Bom, eu não pedi a ninguém para ser gerado. Pior: além de fazê-lo sem meu consentimento, ainda quer me jogar às feras. Sabe como anda o mundo lá fora? Não saio daqui de dentro nem por decreto
- Isso é impossível, meu jovem. São as leis naturais da vida. É hora de você ir e enfrentar o mundo.
- Você fala isso porque vive lá em cima, no bem-bom. Já sei de tudo. Primeiro, vai ser um sofrimento a saída: vou ter que me espremer todo. E o choque térmico então? Lá fora vai estar um frio danado...
- Você vai estranhar só no começo...
- Me deixa terminar, oras! Então, todo gosmento que vou estar, um cara que eu nem conheço vai me colocar de ponta-cabeça e me tascar um tapa na bunda. Bundinha de neném, diga-se de passagem. E para quê? Só para me ver chorar.
- Não é isso não. É para fazer você respirar. Para ver se está tudo bem.
- Tudo bem está aqui dentro. Não vou, já disse.
- Olha, eu vim aqui para fazê-lo aceitar o fato. Não há o que você possa fazer quanto a isso.
- Vocês são bem engraçados. Nos dão estes momentos alegres e tranqüilos, sem nenhum barulho, nenhum horário a ser cumprido, tudo perfeito... e daí, pimba!, nos arrancam isso de uma hora para outra. Por favor, eu imploro, lá fora é o caos. Só há desgraça. Já viu o Jornal Nacional? É só coisa ruim.
- Ah, não é só coisa ruim não. Inclusive, teve uma edição em que mostraram o nascimento da Sasha...
- Como eu disse, é só coisa ruim.
- Pára com isso. Se você ficar aí, não aprenderá a jogar bola...
- Ah!, hoje só se joga bola no Playstation.
- É... bem, não comeria coisas gostosas...
- Só tem fast food... De qualquer jeito, morreria cedo de colesterol.
Segue abaixo...
Escrito por Beto Pacheco às 22h37
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Continuação
- Você é difícil, hein? E essa agora: se ficasse aí, não conheceria a sua alma gêmea.
- Fala sério!
- Tudo bem, eu sei, peguei pesado agora. Mas e sua mãe? Não tem vontade de encontrá-la?
- Tenho, mas estaremos sempre juntos se eu ficar aqui dentro. E ela não se preocupará quando eu sair para a balada e chegar tarde. Não ficará irritada comigo quando eu tirar nota baixa na escola... Será melhor para ela também.
- Sabe que você está quase me convencendo. Se resolver ser advogado lá fora, será um problema.
- Além de tudo ainda me joga uma praga dessas!
- O fato é que a vida é assim mesmo, guri, foi feita para ser experimentada. Não posso lhe dizer que irá encontrar facilidades, contudo, será sempre uma surpresa. Bem melhor que esta monotonia em que se encontra.
- É, pode ser.
- Sem contar que pode ser você o cara a arrumar todas essas desgraças de que falou. Há pessoas que nascem justamente para concertar os desvios que o mundo apresenta. Fugir disso é deixar que o mundo o vença.
- E se eu não for esse cara?
- Pelo menos você terá tentado, feito tudo o que pôde e não passará despercebido pela vida. Há muita gente sem coragem de enfrentar o mundo, mesmo estando lá fora. Muita gente que se esconde ao invés de assumir a vida e as chances que ela lhes dá.
- Digamos que eu resolva ir... Acha que conseguiria enfrentar tudo isso sozinho?
- Não estará sozinho. Haverá sua família, amigos... E eu estarei sempre por perto também.
- Como posso ter certeza disso?
- É só prestar bastante atenção em seus sonhos.
- Mas eu sei que acontecerão muitas coisas ruins. Que encontrarei muitas pessoas que me farão mal.
- Realmente, não posso mentir quanto a isso. Algumas coisas não têm concerto, é verdade. Entretanto, depende muito de como você irá encará-las. Tente ser e fazer o melhor que você puder. E nunca, nunca!, faça aos outros aquilo que não gostaria que te fizessem. Mesmo achando que merecem.
- E se eu fizer?
- Você perderá para si mesmo.
- Eu lembrarei desses conselhos quando sair?
- Não.
- E como poderei agir de acordo com eles?
- Não agirá por conta do que eu falei e, sim, porque é da sua alma ser assim.
- E se, mesmo assim, ao final, não tiver conseguido arrumar o mundo?
- Não se arrependerá, pois terá feito o melhor que pôde. Além do mais, entenda: a viagem é o caminho, e não o destino.
Escrito por Beto Pacheco às 22h34
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Papo de louco
Por Beto Pacheco
- Pois então, com eu ia dizendo, doutor, no sonho, o homem ao meu lado olhava pela janela...
- Janela? Hum... Falemos dessa janela. Ela havia passado despercebida em nossa última consulta.
- Havia? Bom, não achei que fosse relevante.
- Tudo é relevante. Tudo! O que vem à sua cabeça quando pensa na janela? Vamos, pode ser qualquer coisa. Não se preocupe com o significado da coisa.
- Certo, certo... Vejamos... Viagem. É isso! Me remete a uma viagem.
- E já comprou as passagens?
- Ahn?!
- É, ué, não vai viajar?
- Claro que não. Estávamos falando da janela.
- O que tem uma janela a ver com a sua viagem?
- Mas foi o senhor que pediu que eu falasse da janela.
- Eu?
- Claro.
- Se você diz...
- Olha, doutor, vamos voltar...
- Voltar para aonde? Você nem foi e já quer voltar. Aliás, que doutor?
- Você, oras!
- Tem certeza que está bem? Não parece.
- Mas é claro que não estou. De outra forma não teria vindo até o seu consultório.
- Puxa vida! É verdade, agora me lembro...
Continua...
Escrito por Beto Pacheco às 22h48
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Continuação
- Parece que é o senhor que não está passando bem, doutor.
- Não, não, tenho passado bem sim. Tenho tido alguns problemas com as camisas, mas precisa ver as calças.
- Ai, meu Pai!
- Onde?
- Como assim?
- Seu pai, cadê?
- Calma, doutor, do que está falando?
- Diga você, onde é essa festa aí?
- Que festa, tá maluco?!
- Maluco, eu?! Você fica falando do seu pai, do doutor... Com essa quantidade de gente, só pode ser uma festa. E eu não vejo ninguém por aqui.
- Eu vou embora.
- Mas a gente mal começou a analisar a relação que você fez entre a janela e a viagem.
- Cara, você é louco de pedra!
- Duas, por favor.
- Que duas?
- Pedras de gelo, oras! Não gosto de cowboy.
- Desisto!
- Hei, aonde você vai? Volte aqui, não acabamos a sessão... Não, não bata a porta de novo...
Escrito por Beto Pacheco às 22h47
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Simpatias futebolísticas de Pai Misifio
Por Beto Pacheco
Iniciado o Campeonato Brasileiro, a imprensa especializada só tem uma preocupação: elaborar as listas dos candidatos ao título e ao rebaixamento. Porém, o torcedor sofre muito com essas tentativas de adivinhações, que muitas vezes só servem para vender jornal. Visando dar um pouco mais de tranqüilidade àqueles que porventura venham a acompanhar a competição, procuramos um especialista na área que poderá dar um empurrãozinho no seu time, evitando assim uma série de aborrecimentos. Descubra com ele, Pai Misifio, qual é a simpatia (ou “trabalho”, como preferir) ideal para que o seu clube do coração tenha sucesso nos gramados:
Flamenguista: Colha quatro gotas de orvalho, que representarão o número de títulos brasileiros do Flamengo (não adianta, o título da Copa União não vale), e derrame-as sobre a camisa rubro-negra. Após fazer isso, entoe a música “Ó, meu Mengão, eu gosto de você”, em altos brados, por duas horas. Quando a vizinha, vascaína, reclamar da gritaria, atire uma baguete na direção dela. Se acertar a infeliz, o resultado será positivo para o seu time. Caso contrário...
Vascaíno: Leve um urubu até uma encruzilhada. Chegando lá, faça um círculo no chão e coloque o bicho, já depenado - e morto, faça-me o favor –, no centro. Dance “O Vira”, ao som de Roberto Leal, em volta da oferenda. Se o Vasco vai ser campeão dessa forma eu não sei, mas o Flamengo não ganha o título nem sob decreto (que é o que importa). Dica: acrescente uma foto do Eurico Miranda ao ritual, que é para ver se vocês se livram dessa praga de uma vez.
Botafoguense: Pelo amor de Deus, pare! Incendiar o urubu não vai ajudar em nada. Além do mais, é crueldade... Isso, obrigado. Agora, siga até a praia e encontre uma estrela-do-mar. Se tem que estar solitária? Lógico! Que pergunta! Então, vá ao cemitério e ponha a oferenda sobre o túmulo do Mané Garrincha. É tiro e queda. Aproveite e coloque junto uma garrafinha de cachaça. Por quê? Bom, isso não vem ao caso.
Fluminense: Eu já disse que você não pode ficar espalhando por aí que está usando pó-de-arroz por conta de uma simpatia. É melhor você assumir logo. E esquece o coitado do urubu você também.
Continua...
Escrito por Beto Pacheco às 19h48
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Continuação
Atleticano (Paraná): Primeiramente, saiba que você só poderá realizar a simpatia se o Mário Celso Petráglia permitir. Solicite autorização com antecedência. Depois, devidamente munido do documento liberatório, encontre um pedacinho da antiga Baixada demolida. Pode ser uma lasca de tijolo, um punhado de grama, um pedaço do alambrado... Não importa. O importante é que seja do estádio antigo. Então, despeje tudo dentro de um saco de estopa e deposite em frente à casa do ex-zagueiro Berg (vide campeonato paranaense de 1990). A partir daí, a cada três gols a favor de sua equipe, um deles será contra, entregue de bandeja pelos adversários. Uma ajudinha e tanto.
Paranista: Pegue uma Kombi e reúna a torcida. É muito importante que toda a torcida esteja presente, para que não fique nenhum banco vazio dentro do veículo. Encaminhem-se à Vila Capanema e formem no centro do gramado a figura de uma gralha-azul. Usem apitos que emanem o canto do pássaro para atraí-lo até o local. O ápice do “trabalho” será quando a dita mascote do clube pousar no meio do desenho. Seja rápido, pois o animal está em extinção e, logo-logo, a simpatia não poderá mais ser realizada.
PS: Não se assuste se, durante o evento, olhar para o lado e encontrar com o Otacílio Gonçalves. Ele é paranista, acredite.
Coxa-branca: Desculpe, mas não há o que possa ser feito.
Palmeirense: Vá a um restaurante italiano. Peça duas lasanhas, três pratos de macarronada, dois de rondeli, uma panelada de nhoque e um garrafão de vinho. Pode ser vinho Campo Largo, mas arque com os riscos de um possível purgatório além-túmulo. Depois de comer tudo, dê pulinhos enquanto repete o mantra: “Volta, academia! Volta, academia!”. Se bem que, pelo tanto que você comeu, poderia falar: “Volta, sal de fruta! Volta...”. Em todo caso, se vier a morrer de congestão, pelo menos estará livre de tamanho sofrimento. Voltando à simpatia, um retrato do Ademir da Guia por perto deve reforçar a mentalização. “Mas só tem foto do Luizão!”. Hummm!, então vai ser difícil.
Santista: Pegue com um balde um pouco de água do mar. Desculpe-me se você for um santista que não mora no litoral. Jogue dentro do balde meia-dúzia de rosas brancas (simbolizando as cores do clube), uma camisa com o “10” estampado (preciso dizer porquê?) e um pedal de bicicleta (para remeter às famosas pedalas). Coloque no fogão e mexa tudo com uma colher de pau até ferver. Depois, pegue uma xícara dessa água e jogue sobre um recém-nascido (não, calma, espere o caldo esfriar!). O menino, apesar das queimaduras, se tornará o maior jogador de todos os tempos - vai por mim. Entretanto, acompanhe o crescimento da criança. Porque, se deixarem que ele faça teste no Corinthians antes, você terá sérias dores de cabeça.
Corintiano: Já pensou em torcer pela Portuguesa Santista?
São-paulino: Já que a casa do seu clube de coração fica no Morumbi, não se faça de rogado. Seus pedidos só surtirão efeito se você usar produtos de primeira. Troque a cachaça, a galinha e o cigarro de palha por uísque (12 anos, no mínimo), peru e charutos cubanos. Procure, para fazer pano de fundo, o hino do São Paulo em versão erudita, com violinos e harpas. Se não tiver o CD em casa, vá à internet que você acha. Aliás, se não tiver computador, mude de time, porque você não se enquadra nos pré-requisitos. Tenta o Coringão, sei lá.
Continua...
Escrito por Beto Pacheco às 19h47
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Continuação
Gremista: Antes de tudo, largue o chimarrão. Assim não é possível, até na hora de fazer simpatia tem que ficar de cuia na mão?
Colorado: Sem chimarrão, já falei. Bem, primeiro, vista as bombachas novas recém saídas do armário. Após amarrar o lenço e colocar o chapéu, siga até as margens do Guaíba. Entre no rio até a água ficar na cintura (imagina o frio!), que é uma forma de expurgar os pecados do passado. “Que tipo de pecados?” O Celso Roth serve? Durante o caminho, cante a principal música do grupo “Tchê Garotos”. Se não souber nenhuma, bagual, não prossiga. Tu não és gaúcho, e muito menos colorado. E mais: tenha a certeza de estar vestindo a camisa do Internacional, para que o “trabalho” siga a direção correta. Se não estiver com ela, cuidado! Ainda mais se a cor da sua cueca for azul.
Cruzeirense: Para começar, deixemos claro que não serve qualquer trem para a simpatia. Agora, vejamos, junte três pelos de três raposas diferentes. Detalhe: tem que ir buscar direto na toca do bicho. Depois, coloque-os dentro do tênis do pé direito (se o “camisa nove” do Cruzeiro for canhoto, mude de pé) e dê três voltas na Lagoa da Pampulha. Durante todo o circuito, repita: Perrela sim; Perrela não, de qualquer jeito meu time há de ser campeão. Batata!
Atleticano (Minas): Em noite de céu estrelado, quando o Cruzeiro do Sul aparecer brilhante, não saia de casa. O negócio é manter-se calmo e aguardar a hora certa. Até por quê, é de grão em grão que a galinha... Está bem, certo, eu não quis dizer galinha... Foi mal. É galo! Galo!
Torcedor do Bahia: Dirijo-me a você dessa forma porque não sei como é o certo. E também não posso chamá-lo de “baiano” porque os torcedores do Vitória, também baianos por natureza, me jogariam uma praga. E olha que praga de baiano deve ser quente. De qualquer forma, seu caso é delicado e precisamos de ingredientes especiais. Pois bem, escolha cinco pimentas malaguetas das brabas, uma garrafa de óleo de dendê e um pacote de... Mas o que é que eu estou fazendo? Querendo ensinar o padre a rezar a missa?
Torcedor do Vitória: Já sei que você não quer falar de trabalho, tudo bem.
Escrito por Beto Pacheco às 19h43
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"500 anos em 5"
Por Beto Pacheco
Enfim, abrindo essa nova fase do site, a equipe do Blog do Beto traz uma entrevista exclusiva com o futuro candidato ao Governo, Cepensa Queuligo. Ele acredita que suas propostas arrojadas e inovadoras trarão novas perspectivas aos eleitores. Acompanhe os principais trechos:
Blog do Beto: O senhor é muito crítico com relação à falta de investimentos que, segundo vossa opinião, assola o país nos últimos governos. Como espera melhorar essa questão?
Cepensa Queuligo: Simples, com um investimento mais localizado, desvinculado de pensamentos retrógrados. Teremos o programa “O êxodo dos êxodos”, que prevê o fim de todas as lavouras. Investir em agriculturas é coisa de país subdesenvolvido. Temos que nos modernizar. Além do mais, é sabido que as pessoas só moram no campo porque não têm outras opções. Portanto, visando à modernização plena, iremos acabar com todas as áreas cultivadas e transformar tudo em estacionamentos à beira das estradas.
BB: E o que acontecerá com os produtores rurais?
CQ: Deixarão de ser simples lavradores para se tornarem empresários do ramo de estacionamentos. Claro que eles terão que pagar pela concessão dos estabelecimentos. Mas isso é detalhe.
BB: Mas o senhor acha que haverá demanda para tantos estacionamentos?
CQ: Tranquilamente. Na situação em que se encontram nossas estradas, esburacadas e sem acostamento, o que não faltará é carro precisando de uma vaguinha para, digamos, descansar. Sem contar que será possível oferecer serviços diferenciados, como lojas de conveniências e lava-jatos. Para este último, temos um reservatório inesgotável de água. Somos realmente abençoados.
BB: Vendo por esse ângulo... Mas, infelizmente, nem todos possuem automóveis para aproveitar tamanha benesse.
CQ: Alto lá! Isso não será problema. Daremos incentivos para a troca de carroças por carros mil. É bem verdade que não fará muita diferença para o usuário no fim de contas. Mas, dessa forma, estaremos poupando o animal e beneficiando a produção de empregos na indústria automobilística. Queremos crescer 500 anos em 5.
Continua...
Escrito por Beto Pacheco às 08h33
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...Continuação
BB: Belo slogan!
CQ: Eu sei, fui eu mesmo que inventei. Sou 10 vezes mais eficiente que o JK.
BB: Agora, pensando bem, essas “inovações” também não acarretarão em problemas ambientais?
CQ: Vocês da imprensa subestimam nossa capacidade de organizar o futuro, rapaz. Para suprir esse possível problema, criaremos o maior zoológico do mundo. É certo que com o asfaltamento de todo o nosso território, para o estabelecimento dos estacionamentos, será necessário a construção de um espaço para receber os animais que, porventura, venham a ter dificuldades de moradia. Essa medida será exemplar, principalmente por oferecer aos animaizinhos um ambiente climatizado, limpo, com alimentação e banhos diários. Sem contar que será evitado dessa forma a criação de possíveis grupos “sem-floresta”.
BB: Se o senhor diz... Mudando um pouco de assunto, e qual a sua visão sobre a inclusão social e quais as propostas para diminuir tamanha disparidade entre as classes?
CQ: Simples, ofertaremos, em escolas, associações de bairros e outras instituições, uma série de palestras para amenizar as diferenças sociais. Estudos comprovam que não há mais a possibilidade, concretamente falando, de minimizar a disparidade social. Entretanto, podemos criar formas de manter a acomodação das classes menos favorecidas, explicando a elas a importância da participação do populacho para a sociedade. Uma coisa é fato: pobre tem que entender que é pobre. A vida fica mais fácil assim, não concorda? E um ciclo de palestras esclarecedoras acabaria com os possíveis conflitos de classes. Viveríamos em plena harmonia. Inclusive, pensamos em promover uma oficina de hipnose para sugestionar, de forma mais amena, a aceitação por parte dos participantes.
BB: Certo, certo... E, neste mundo informatizado e globalizado, como se encaixa a inclusão digital em seu plano de governo?
CQ: Essa é outra importante meta nossa. Mas inovaremos no quesito "inclusão digital". Já que a palavra-chave é “digital”, estamos programando a distribuição de milhares de câmeras digitais. Imaginem que coisa fantástica! Todas com 2 mega-pixels. Pense na alegria das crianças nas favelas, podendo tirar fotos sem terem que se preocupar em revelar o negativo. Isso, definitivamente, terá um importante reflexo na economia familiar de nossos cidadãos.
Por Beto Pacheco
O Blog do Beto agradece a participação do candidato Cepensa Queligo e o convida para futuras intervenções durante a campanha, que serão fundamentais para um melhor conhecimento de seu plano de governo. Também agradecemos a colaboração de Patrick Athayde na discussão dos temas para a entrevista.
Escrito por Beto Pacheco às 08h30
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